O futuro da saúde precisa de uma viagem a Marte, afirma médico húngaro
O futuro da saúde e a analogia com uma viagem a Marte
De acordo com a revista VEJA, o médico húngaro Bertalan Meskó, conhecido como “O Médico do Futuro”, utiliza uma analogia inusitada para falar sobre os desafios e as perspectivas da medicina: o futuro da saúde precisa de uma viagem a Marte. Essa comparação vai além da ficção científica, ressaltando a necessidade de desenvolver sistemas de saúde robustos e tecnológicos que possam garantir a sobrevivência e o bem-estar, mesmo em condições extremas, como a de um astronauta a milhões de quilômetros da Terra.
Contexto e visão do médico húngaro
Meskó, que será palestrante no Afya Summit 2025 em São Paulo, destaca que o futuro da medicina depende da incorporação de tecnologias digitais para colocar o paciente no centro do sistema. Isso inclui o acesso irrestrito aos dados pessoais e o uso de algoritmos para auxiliar decisões médicas em tempo real. Para ele, a tecnologia não deve substituir a empatia, mas sim potencializá-la, liberando os profissionais para focar no cuidado humano.
O médico cresceu imerso no universo geek, entre ficção científica e videogames, o que influencia sua visão inovadora. Ele imagina um futuro em que consultas médicas são assistidas por inteligência artificial, diagnósticos acontecem rapidamente e a burocracia médica é minimizada.
Desafios do sistema de saúde atual
Uma das maiores preocupações apontadas por Meskó é a escassez global de profissionais de saúde. Segundo a Organização Mundial da Saúde, faltam 5 milhões de médicos no mundo, o que torna inviável atender a crescente demanda por cuidados. Nesse cenário, a inteligência artificial surge como uma ferramenta essencial para preencher essa lacuna, realizando tarefas repetitivas e liberando os médicos para a parte mais humana do trabalho.
Além disso, o médico ressalta a importância da equidade tecnológica para que a saúde digital alcance todos os pacientes, especialmente aqueles em regiões com acesso limitado à internet e recursos básicos.
O papel da inteligência artificial e do empoderamento do paciente
Meskó destaca a inteligência artificial como uma das tecnologias mais promissoras no presente e futuro da medicina. Ela pode analisar exames, cruzar dados clínicos e identificar padrões com rapidez e precisão, auxiliando decisões médicas complexas.
Ao mesmo tempo, o empoderamento do paciente é uma tendência fundamental. Isso implica reconhecer os pacientes como participantes ativos, capazes de compartilhar informações, tomar decisões conscientes e contribuir para o próprio cuidado, o que representa uma revolução na relação tradicional médico-paciente.
Impactos e próximos passos para a saúde digital
Para que essa transformação seja efetiva, Meskó enfatiza que os governos precisam garantir o acesso digital universal. Sem isso, ferramentas avançadas e promissoras não passam de recursos restritos a poucos. A digitalização da saúde, combinada com políticas públicas adequadas, é o caminho para construir sistemas mais resilientes e centrados no paciente.
O médico também ressalta que a indústria farmacêutica está entrando em uma nova era, investindo em inteligência artificial para acelerar o desenvolvimento de medicamentos e adotando o conceito de patient design, que envolve o paciente desde o início do processo.
Por fim, Meskó acredita que as maiores barreiras para a medicina do futuro são as mentalidades ainda resistentes a mudanças. A adoção ampla da saúde digital depende de uma compreensão clara das vantagens e da importância de se adaptar às novas tecnologias para melhorar a qualidade do atendimento.

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