Salas conectadas e IA: hospitais inauguram nova era da cirurgia digital

Salas conectadas e IA: avanço na cirurgia digital nos hospitais

De acordo com o Valor Econômico, a telecirurgia no Brasil entrou em uma nova fase de aplicação prática, com casos pontuais que demonstram o potencial das salas conectadas e da inteligência artificial (IA) na área hospitalar. Essas tecnologias permitem operar pacientes à distância com alta precisão, desde que haja conectividade estável e equipes preparadas.

Contexto e primeiros procedimentos pioneiros

Em setembro de 2025, o professor Leandro Totti Cavazzola, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, realizou uma cirurgia de hérnia em Curitiba a partir do Kuwait, a mais de 12 mil quilômetros de distância. Este procedimento foi reconhecido pelo Guinness como a telecirurgia robótica mais distante já realizada. No mesmo dia, uma equipe do Kuwait operou um paciente brasileiro, marcando a primeira telecirurgia robótica mundial com duas equipes e robôs atuando em continentes distintos.

Além disso, em outubro, ocorreu a primeira telecirurgia robótica não experimental da América Latina entre o Hospital Nove de Julho, em São Paulo, e o Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre. O urologista Rafael Coelho, responsável pelo procedimento para tratamento de câncer de próstata, destaca que a latência da conexão ficou próxima de 30 milissegundos, garantindo uma operação praticamente em tempo real.

Incorporação da inteligência artificial e conectividade nos hospitais

O avanço da cirurgia digital não se limita à telecirurgia. Segundo Sérgio Araújo, diretor da rede cirúrgica do Hospital Israelita Albert Einstein, os sistemas robóticos já integram softwares com IA capazes de reconhecer padrões, sugerir trajetórias cirúrgicas e emitir alertas intraoperatórios, aumentando a segurança sem substituir o julgamento do cirurgião.

A integração da robótica, IA e redes 5G privadas forma um ecossistema assistencial inovador. O Hospital Israelita Albert Einstein já utiliza teleassistência para exames como ecocardiograma e ultrassonografia, com laudos emitidos remotamente. O suporte remoto tem se tornado prática especialmente em regiões com carência assistencial, transformando a sala cirúrgica em um ambiente digital conectado.

Infraestrutura, desafios e perspectivas futuras

O InovaHC, núcleo de inovação do Hospital das Clínicas da USP, destaca que a telecirurgia está saindo do laboratório para uso assistencial com rigor clínico. Porém, para rotinas seguras, são necessárias redes de alta velocidade e equipes treinadas, além de regulamentação adequada.

O Hospital Sírio-Libanês reforçou sua inovação com a inauguração de uma sala híbrida que combina procedimentos minimamente invasivos e cirurgias abertas, equipada com tecnologia avançada de imagem em tempo real. Conforme Anuar Mitre, a expansão da robótica exige treinamento constante e investimentos significativos, pois o equipamento depende de processos eficientes para garantir bons resultados.

Impactos no Sistema Único de Saúde e setor privado

A Beneficência Portuguesa de São Paulo tem testado a conectividade 5G no SUS, reduzindo significativamente o tempo de espera para exames e qualificando equipes locais. A incorporação da prostatectomia robótica ao SUS, aprovada recentemente, sinaliza crescimento na área.

No setor privado, hospitais como o Moinhos de Vento, em Porto Alegre, operam múltiplas plataformas robóticas e registram aumento expressivo no número de cirurgias. A Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) aponta que a inovação está integrada ao core assistencial, TI e negócios clínicos, embora ainda sejam necessários padrões técnicos e modelos de remuneração adequados.

Aspectos jurídicos e governança

Com o avanço da telecirurgia e IA embarcada, cresce a demanda por governança robusta. Danielle Serafino, especialista em direito, ressalta que a legislação vigente permite a prática, mas a execução requer padrões rigorosos de cibersegurança, rastreabilidade e auditoria, além da presença obrigatória de cirurgião local apto a intervir em caso de contingência.

Conclusão: a revolução digital nas salas cirúrgicas

A combinação de salas conectadas, inteligência artificial e robótica está inaugurando uma nova era na cirurgia digital no Brasil. Esse avanço promete democratizar o acesso a procedimentos de alta complexidade, melhorar a segurança e eficiência das operações, além de ampliar o treinamento de profissionais. Apesar dos desafios técnicos, regulatórios e financeiros, o setor hospitalar avança rumo a um futuro marcado pela integração tecnológica e inovação assistencial.

Fonte: https://valor.globo.com/publicacoes/especiais/revista-inovacao/noticia/2025/11/28/com-salas-conectadas-e-ia-hospitais-inauguram-era-da-cirurgia-digital.ghtml

Veja mais: https://euvendosaude.com/noticias

Tags Relacionadas